Entrevista: Martha Ricas


Nascida em São Paulo, onde ainda reside. Desde pequena, adora a arte em suas mais diversas formas: compunha para a lua, escrevia diários de garatujas e desenhava personagens imaginários. Na adolescência, se envolveu com a música onde atuou como vocalista.

Quando precisou escolher a faculdade, sempre tinha por certo que seria Comunicação Social, porém seu gosto pela leitura de alguma maneira falou mais alto: formou-se em Letras por amar o encanto da literatura e sua alquimia de palavras. Atualmente, leciona português e inglês.

Continua a cantar e tocar violão nas horas vagas, escreve para o seu blog, além de se aventurar pelo design de interiores e dança. Vê na escrita uma forma de expressão artística e um passaporte para mundos nem sempre tão distantes, porém sempre diferentes e incríveis.

1-Como começou o seu interesse pelo fantástico mundo da escrita? 
Desde a infância, adorava ler. Pegava livros que nem eram infantis e devorava, somente pelo prazer da leitura. Também tinha fascínio pela escrita, mesmo sem imaginar que um dia me enveredaria por tais caminhos. Pegava diversas folhas de sulfite e enchia de garatujas, fingindo escrever meu diário, antes mesmo de aprender alguma letra. Então, posso dizer que a leitura e a escrita sempre foram parte de mim, embora não soubesse que algumas anos depois estaria escrevendo meus próprios livros.

2- Todo escritor, normalmente é também um grande leitor. Conte-nos quem são seus autores favoritos? Algum deles inspirou a sua escrita?
É uma pergunta difícil! São tantos os escritores que amava enquanto leitora e que agora me inspiram na escrita! Mas, tentarei citar alguns, os principais. Amo "As Crônicas de Nárnia" de C.S. Lewis, são meus livros prediletos. George R.R. Martin criou um mundo duro e perigoso do qual não queria mais sair com "As crônicas de gelo e fogo". Um nome nacional que é uma grande referência é Eduardo Spohr com sua "Batalha do Apocalipse", meu segundo na lista dos favoritos. Fora da literatura fantástica, não poderia deixar de citar Carlos Ruiz Zafón (principalmente por "O Jogo do Anjo"), Maurício Gomyde e Emily Giffin.

3- Qual foi o trecho do livro que você mais gostou de escrever?
Não posso contar muito sobre o trecho, mas envolve uma morte importante no enredo. Lembro que mal conseguia escrever, pois chorava demais enquanto digitava as palavras. É impossível para mim não me envolver com meus personagens, embora parecia meio maluca digitando aos prantos uma morte que já sabia que iria acontecer. Coisas de escritor!

4- Qual de seus personagens é o seu favorito ? Por que? O que ele significa para você?
São muitos os meus queridinhos, contudo, a querubim Chaya tem um lugar especial em meu coração. Ela representa força, justiça e coragem, coisas que fazem falta em algumas situações difíceis em que a vida nos coloca. Penso que Chaya vem desta necessidade de enfrentamento, determinação e esperança e me pego pensando em como agiria diante de algumas adversidades. É engraçado como os personagens passam a habitar não somente o imaginário de quem lê, mas de quem escreve também.

5- qual o significado do seu livro para você? o livro já mudou de alguma forma a sua vida?
Querubins representa uma quebra de barreiras. Foi a primeira vez em que me sentei e deixei a imaginação fluir através das palavras. Não me considerava capaz de escrever uma obra, pois já tinha lido tantas coisas maravilhosas! Contudo, quando cheguei ao final da história, vi que gostaria de compartilha-la. Não queria deixar que Querubins ficasse esquecido em uma gaveta e, antes que faltasse coragem suficiente, procurei publica-lo. E aí está! Meus querubins voam soltos agora.

6-Como se sente quando vê que as pessoas estão gostando do seu trabalho?
É muito bom e gratificante ver um retorno positivo do meu trabalho. Sinto-me maravilhada quando alguém se emociona com o mesmo trecho que me tocou enquanto escrevia, quando me procuram curiosos pelo que ainda está por vir na trama e até mesmo quando fazem críticas positivas. Com toda a ansiedade de estreante, muita coisa poderia ter sido melhor, mas o tempo e os apontamentos dos leitores ajudam a melhorar e, com certeza, os próximos trabalhos serão melhores por isso.


7- Qual a emoção de ter seu primeiro livro publicado?
Escrever e publicar é um misto grande de emoções. É um processo longo e requer muito do escritor, pois apesar do que possa parecer não é fácil. Entretanto, agora o que sinto é realização e alegria ao ver o livro e sua história se espalhando por toda parte. Com a Bienal chegando, não deixo de ficar com aquele friozinho na barriga, já que sempre frequentei o evento como leitora. Como disse, haja coração!

8- Você tem alguma inspiração quando escreve ou tudo vai simplesmente surgindo?
Com Querubins, já tinha alguma noção do que seria o enredo, com começo, meio e fim. Porém, não sou do tipo que faz planilhas e esquemas, não. Prefiro deixar que minhas emoções façam parte do processo de construção da história, pois acho que traz mais legitimidade ao enredo. Em meu próximo trabalho, ainda em andamento, estou vivenciando algo totalmente diferente, já que optei por deixar a história me conduzir um pouco mais. O processo está bem mais lento do que foi com Querubins, porém estou amando as experiências que a escrita tem me proporcionado.

9- Qual seria sua maior "dica"para quem quer começar a escrever "Profissionalmente"? 
A melhor e mais óbvia dica é: escreva! Escrever e publicar no Brasil não é fácil, como já mencionei. Contudo, não deixe que isso o(a) impeça de dar asas à imaginação escrevendo. Muitas vezes, algumas poucas linhas resultarão em algo extraordinário, mas só saberá se der a si mesmo a chance de tentar.

10-Quais são os seus próximos planos literários? Tem algum projeto em andamento que possa revelar?
Estou trabalhando em um novo romance de fantasia, com um personagem que aparece em Querubins, inclusive. Além disso, lançarei um conto em uma antologia de criaturas sobrenaturais em breve.

Martha, Muito obrigado novamente, por conceder essa entrevista. Agora para finalizar o espaço é todo seu: Deixe uma mensagem/recado para seus leitores.

Gostaria de agradecer ao blog pela entrevista! É muito bom compartilhar um pouquinho das alegrias e adversidades do mundo das palavras. Aos leitores que já conhecem meu trabalho, só tenho a agradecer pelo apoio e incentivo que tenho recebido. Para aqueles que ainda pretendem conhecer, nos vemos nas batalhas dos querubins! Estarei na Bienal do Rio nos dias 12 e 13 de setembro, no estande da Novo Século. Venham me encontrar por lá para podermos bater um papo e para que eu possa conhece-los também. Um grande beijo para todos aqueles que encontram nos livros janelas para iluminar seus dias.


1 comment

Vanessa Sueroz 3 de setembro de 2015 04:40

Oie,
não conhecia nem a autora nem o livro, mas adorei a entrevista. Morte importante? Poxa, odeio mortes importantes rsrsrs

bjos
http://blog.vanessasueroz.com.br

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