Entrevista: Luiz Carlos Giraçol Cichetto


 Meu nome é Luiz Carlos Giraçol Cichetto, sou conhecido como Barata, em função de um site cultural que criei em 1997. Tenho 58 anos e nasci no mesmo ano que Cazuza, Madonna, Bruce Dickinson, Tim Burton e Michael Jackson. Sei escrever poesia, conto, prosa, ensaio, crônica. Cozinho razoavelmente bem, mais para razoável do que para bem. Sei editar e encadernar livros; sou carpinteiro amador, pedreiro de quebra-galho e eletricista sem formação. Já fui office boy, projetista de brinquedos, analista de ISO 9000. Sei fazer programas. De rádio inclusive. Já fui sócio de escola de informática, auxiliar de escritório. Tenho diploma de arquivista e de datilografia. Ah, e curso de microfilmagem e almoxarifado. Já fiz montagem, formatação e instalação de computadores. E umas centenas de sites. Já fui bancário, escriturário, analista de informática; vendedor de loja de artigos esportivos; desenhista mecânico e mais umas cem profissões. Já organizei eventos de Rock, poesia e até fiz sites para puteiros. Tenho experiência em muitas coisas, até mesmo em casamento e em criar filhos. Ah, já plantei árvores também. Mas, não querido amigo, isso não é um currículo profissional, parece mais um testamento que não deixará nada de valor a nenhum herdeiro.

 - Como começou o seu interesse pelo mundo da escrita?

 Olha, Crisberg, não consigo ser preciso, mas creio que tenha sido desde que fui alfabetizado. As imagens e textos da cartilha que minha mãe me alfabetizou me fascinavam. Eu vivia procurando livros para ler. Nunca tive muitos recursos financeiros, mas me associava a bibliotecas publicas, pedia emprestado e lia. lia muito. De tudo que me caísse na frente. Então, o despertar para a escrita nasceu ali, da minha fascinação pela leitura. As primeiras coisas que escrevi, que eram uns contos bem curtos e simples, foi com a idade de cerca de 10 anos. 

 - Todo escritor, normalmente é também um grande leitor. Conte-nos quem são seus autores favoritos? Algum deles inspirou a sua escrita? 

O título do seu blog diz tudo: é a "Febre do Livro". Quando a gente contrai essa febre - rssss - está contaminado para sempre. Os primeiros autores que li foram os clássicos, na escola. Alguns detestei, outros amei, como foi o caso de Machado de Assis, que para mim é o maior escritor brasileiro. Dos brasileiros atuais gosto muito de Loyola Brandão. Em poesia, a de Augusto dos Anjos. Dos estrangeiros, Edgar Allan Poe, Henry Miller, Bukowski... Mas, de fato, minha grande influência na poesia não foi propriamente de um poeta, mas de Lou Reed, com sua poesia crua e visceral em forma de Rock. Foi ele quem me influenciou a escrever poesia, que afinal é a minha maior vocação. 

 - O que seus livros significam para você? Os livros já mudaram de alguma forma a sua vida? 

Creio que esteja falando dos livros em geral. Sim, claro! Ninguém que lê bastante pode afirmar que os livros não mudaram sua vida, sua maneira de pensar e agir com relação ao mundo. No meu caro particular, eles não mudaram, assim, de uma forma abrupta e brusca, pois sempre fizeram parte da minha vida. Então, estando os livros sempre presentes, eu me moldei a eles e eles a mim, pois com a evolução do meu pensamento, fui remodelando minhas leituras, fiquei mais exigente. Por exemplo, há pouco tempo descobri um autor romeno chamado Emil Cioran, que é uma espécie de decorrência natural do meu processo de pensamento. 

 - Vi que você tem uma editora, que é a "Editor'A Barata Artesanal", fale um pouco sobre ela. 

A Editor'A Barata Artesanal não é uma editora sob a forma tradicional. Costumo definir-me como um "Artesão de Livros". Todo o processo, da leitura, revisão, diagramação, impressão, costura e colagem dos livros é feita manualmente por mim. Foi inicialmente a forma que encontrei de publicar meus livros longe da ditadura das grandes editoras, que depois acabou se tornando um negócio. Comigo os autores podem ter a tiragem que quiserem de seus livros e influir e decidir em todos os passos do processo. Não imponho nada, dou sugestões, faço criticas, mas a decisão final é do autor. O fator importante é que, por ser um artesanato, os livros são únicos, embora primando pela qualidade da apresentação.

 - Como se sente quando vê que as pessoas estão gostando do seu trabalho? 

Olha, Grisberg... O ser humano é vaidoso, e ninguém pode dizer que está acima dela. Mas há, é claro, um limite para ela. Publiquei 24 livros até hoje e fico muito feliz quando as pessoas leem, comentam, elogiam. Minha literatura é pesada, com exceção de meu ultimo livro que é infantil, então não é o tipo de literatura que se ama da primeira vez. Eu falo de coisas que muita gente torce o nariz, falo das mazelas da alma humana, e muita gente fica desconfortável com isso. Então, quando alguém comenta, elogia, sei que é sincero, fico muito feliz. 

 - Quais são os seus próximos planos literários? Tem algum projeto em andamento que possa revelar? 

Com a Editora tenho cerca de 16 projetos de outros autores sendo desenvolvidos. Fora isso, tenho oito projetos meus em fases distintas de produção, sendo quatro de poesia, um de crônicas, um de aforismos, fora o primeiro romance que consegui terminar. O oitavo projeto é um texto que não consegui definir o gênero - rsssss - mas que está mais próximo para um monólogo de teatro. 

 - Muito obrigado por aceitar essa entrevista! 

Meu caro Grisberg, eu que agradeço a oportunidade de falar aos leitores do seu blog "Febre de Livro", e quero aproveitar e parabeniza-lo pela iniciativa. A literatura, o livro, a leitura, precisam ser incentivados. E fico feliz por perceber que alguém jovem como você se dedique a um projeto assim, mesmo sabendo as dificuldades inerentes. Muito obrigado e você! E quem tiver interesse em publicar seu livro de uma forma diferente, com um escritor que faz livros, que entre em contato pelo site da editora, pelo Facebook ou Whatsapp. Abraço!!!

Então é isso pessoal, abraços literários!
Fanpage da Editora: Aqui 
Site: Aqui

4 comments

Luiz Carlos Giraçol Cichetto 11 de agosto de 2016 08:35

Obrigado, meu caro Crisberg, pelo espaço no Febre do Livro. Grande abraço deste poeta, escritor e artesão de livros.

Micaela Gomes 11 de agosto de 2016 14:52

oioi!
adorei a entrevista e também as respostas e personalidade do autor!
muito sucesso!
bjs xxx
http://lendocomela.blogspot.com.br/

Dimitri Brandi 12 de agosto de 2016 12:48

Excelente entrevista! Quem dera todos os artistas fossem como o Barata, apaixonado pela arte, que não mede esforços para divulgar seu trabalho e o trabalho dos outros. Parabéns ao blog!

Luiz Carlos Giraçol Cichetto 12 de agosto de 2016 16:26

Dimitri, tu é meu irmão de artes. E agradeço pela atenção ao meu trabalho.

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