Entrevista: José Bezerra


Muito obrigado por aceitar o convite para a entrevista.
Mas antes de começar as perguntas gostaria que você falasse um pouco sobre você, sua trajetória e uma pequena biografia. 
José Bezerra – Existem, acredito eu, duas coisas difíceis para um escritor: fazer a sinopse de sua obra e falar sobre si mesmo (risos). Não é como se eu tivesse setenta anos e muita coisa para contar, em resumo sou uma pessoa caseira, reservada e acusada pelos amigos de ser antissocial. Ora, não me culpem por querer ler um bom livro a sair de casa (risos). Moro em uma cidade no interior do Rio Grande do Norte, então não tenho muitas opções de diversão – acreditem ou não, aqui não tem cinema. Logo, passo meu tempo estudando, pois sou graduando em Letras, ou lendo e escrevendo. Daí vocês podem entender como deu início a minha trajetória nesse ramo. Escrevo porque é algo que preciso, que já faz parte de mim. Sem a leitura e escrita, e o meus amigos vão concordar, eu não sou José Bezerra.

1 - Como começou o seu interesse pelo fantástico mundo da escrita?
José Bezerra – Vamos concordar que todo escritor é um assíduo leitor, então posso afirmar que o meu interesse na escrita veio a partir do momento que ler não era mais o suficiente, de que eu precisava de mais. Lendo, eu posso imaginar o mundo que outros criaram, mas escrevendo eu permito transportar para o outro o meu próprio mundo; minhas ideias, medos, sentimentos, enfim. Agora, eu posso dizer que me sinto completo.

2 - Todo escritor, normalmente é também um grande leitor, como você mesmo ressaltou. Conte-nos quem são seus autores favoritos? Algum deles inspirou a sua escrita?
José Bezerra – Essa não é uma resposta nova e quem me conhece sabe que sou fascinado pelo trabalho de J. K. Rowling. Foi a partir dos livros dela, mais especificadamente a série Harry Potter, que eu passei a gostar desse universo da leitura e escrita. Conheço pessoas que acreditam que Rowling não escreve tão bem, mas pouco me interessa isso, pois eu apenas acredito no quanto ela contribuiu para o que eu sou, enquanto escritor e, principalmente, como pessoa.
Na minha estante vocês também encontrarão, e não é mentira, Stephanie Meyer, pois gosto do modo de escrita dela. Há também Rick Riordan, Dan Brown, Stephen King, Joe Hill, Nicholas Sparks, John Green, Agatha Christie e (risos) E. L. James. Tenho clássicos de Shakespeare e das Irmãs Brontë. E não posso esquecer do brasileiro Eduardo Spohr, autor que muito admiro.

3 - Qual foi o trecho do livro que você mais gostou de escrever?
José Bezerra – Pergunta difícil... Vejamos, em o Filho da Morte, meu primeiro livro, o trecho que mais gostei foi quando James, o personagem principal, vence o seu maior medo. Em Nebulosa, com certeza quase todas as cenas de Lyon e Aurora, porque eu queria um romance puro e ao mesmo tempo intenso. Foi legal escrevê-lo, e está sendo à medida que dou continuidade a trilogia. Já em Reprimidos, gosto do trecho em que o David aceita a verdade sobre ele. Em síntese, não disse nada, não é? (risos).

4 - Qual de seus personagens é o seu favorito? Por quê? O que ele significa para você?
José Bezerra – Como poucas pessoas conhecem os meus outros trabalhos, vou me deter apenas a Nebulosa. Normalmente o autor tem favoritismo pelo personagem principal, mas eu não. Ao contrário de gostar de Aurora, eu tenho um fascínio pelo Lyon. Quem já leu ou for ler o livro, talvez entenda, mas como eu dei vida a ele e conheço toda a sua trajetória dentro da trilogia, de longe Lyon é o melhor; simples ao seu jeito, inteligente, ingênuo em algumas coisas (risos) e muito determinado.


5 - Qual o significado do seu livro para você? O livro já mudou de alguma forma a sua vida?
José Bezerra – Antes de escrever Nebulosa, eu havia produzido o Filho da Morte, este que hoje se encontra engavetado, mas que talvez logo saia da poeira para ser algo mais sério. Enfim, mesmo já tendo escrito um livro, a elaboração de Nebulosa foi algo completamente diferente; envolveu muita pesquisa e tempo, e isso me consumiu de uma forma prazerosa. Eu estava determinado a fazer algo grande e melhor que o anterior, então talvez por isso ele seja tão importante para mim. Não que os outros não sejam, mas cada um tem sua particularidade. A verdade é que Nebulosa abriu os meus olhos para a minha real capacidade, e isso foi uma grande mudança que ele trouxe para mim.

6 - Como se sente quando vê que as pessoas estão gostando do seu trabalho?
José Bezerra – Como diariamente compartilhamos nas redes sociais, “vomitando arco-íris” talvez seja a expressão certa (risos). E como até o presente momento o livro ainda não saiu, o carinho prévio que as pessoas depositam é muito bom, deixa-me feliz e com determinação para continuar.

7 - Qual a emoção de ter seu primeiro livro publicado?
José Bezerra – Acho que já disse isso uma vez, mas volto a repetir: o sentimento com certeza deve ser o mesmo ao de ver um filho vindo ao mundo. Todo escritor é como um pai/mãe para sua obra, então por que a emoção seria diferente?
Só ressalto que Nebulosa não é o meu primeiro livro publicado. Mas não é por isso que a emoção deixa de ser a mesma. Sempre vai ser.

8 - Você tem alguma inspiração quando escreve ou tudo vai simplesmente surgindo?
José Bezerra – Não acredito em inspiração. Normalmente eu sento, escrevo e pronto. Não é como se as ideias viessem via e-mail do céu (risos), pois escrever não é fácil, envolve muita pesquisa e trabalho.

9 - Qual seria sua maior "dica" para quem quer começar a escrever "Profissionalmente"? 
José Bezerra – Se a pessoa gosta de ler e acredita que tem potencial para escrever, então a minha dica é: escreva. Mas, escreva sem medo. Faça por acreditar em você e porque isso te satisfaz. Não escreva pensando em publicar e virar best-seller, porque, venhamos e convenhamos, o mundo editorial não é nada fácil. Porém, se você faz porque gosta, o resto é consequência.

10 - Quais são os seus próximos planos literários? Tem algum projeto em andamento que possa revelar?
José Bezerra – Voltemos a minha primeira fala, de que sou reservado (risos). Mas, tudo bem! Posso dizer que sim, eu estou envolvido em outro projeto, além da continuação de Nebulosa, claro.

Muito obrigado novamente, por conceder essa entrevista. Agora para finalizar o espaço é todo seu: Deixe uma mensagem/recado para seus leitores.

José Bezerra – Agradeço a equipe do Febre de Livro, especialmente a você, Crisberg Luan, por essa empolgante entrevista. Espero que os leitores do blog a apreciem e que não se prendam apenas a matéria. Convido-os a curtir a página de Nebulosa no Facebook e a bater um papo comigo. Estou sempre disponível para uma boa conversa. Obrigado!

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