APARTADOS - II TEMPORADA


(IMAGEM DA INTERNET)



EPISÓDIO VI


ENCURRALADOS



O quarto era pequeno e todo branco, apenas uma cama de solteiro e um  banheiro minúsculo para as necessidades básicas. Caio andava de um lado para o outro feito bicho raivoso, estava de pés e mãos atadas para lutar contra todos, saíra daquele maldito programa de TV, carregado feito um louco.  Armaram uma arapuca e ele caíra feito um "pato". Não tinha  mais nada o que fazer. Andou até a porta e olhou pelo pequeno e grosso vidro que ficava na parte superior, porém, o campo de visão era ínfimo, conseguia enxergar apenas uma pequena parte do corredor. Abaixo, próximo a seus pés, abriu-se uma portinhola por onde colocaram a comida, já estava na hora do almoço provavelmente. Estava com medo de ingerir aquilo, desconfiava que tivesse algum tipo de veneno para dar cabo de sua vida também, como haviam feito com os outros. Seria melhor resistir por enquanto. Empurrou o alimento com o pé direito para o lado de fora, para que entendessem que não queria aquilo.

Um rosto gordo de colocou diante do vidro, com um sorriso debochado nos lábios.

- Todos fazem isso no começo, mas depois não conseguem resistir a fome e a sede. Coma! Não vai te fazer mau nenhum. Eu garanto.

- Me deixe em paz! - Gritou.  - Não já conseguiram oque queriam comigo.

- Do que você está falando homem? Não temos nada contra você, muito pelo contrário. Estamos te tratando do seu distúrbio psiquiátrico. Assim que melhorar o médico vai te dar alta.

- Não acredito em nada do que vocês me falam, não confio em vocês. Sei muito bem quem são.

- E quem somos, Caio? - Soltou uma gargalhada.

- São vermes! - Berrou. - Vermes que estão aqui em nosso planeta para nos explorar, nos aniquilar quando chegar a hora e o momento oportunos.

- Prove! Prove, tudo que está falando, seu primata idiota.

Falando isso saiu, deixando o outro na solidão novamente.

Caio sentou-se em seu leito e começou a chorar desesperado. Percebeu que não haveria como lutar contra "ELES". Seria uma grande chacota para todos, falar sobre abdução, extraterrestes, ovnis e todos esses assuntos. Sem conseguir controlar oque estava sentindo, e sendo acometido por um desespero incontrolável, pegou o lençol da cama e em meio às lágrimas chegou a cogitar um suicídio. Depois soltou um grito profundo que estava preso em sua alma e desistiu da ideia. 

"Não posso entrar no jogo deles". - Pensou, ainda entre lágrimas salgadas que desciam pelo seu rosto. Deitou-se na cama em posição fetal e se cobriu, logo depois adormeceu feito um anjo.



Enya deixou sua pequena na creche, despedindo-se dela com um longo abraço e um beijo carinhoso. Era o primeiro dia no trabalho que a partir dali deixava de ser em home-office. Sentiu como se estivesse sendo seguida por um carro, enquanto se encaminhava para a estação de metrô mais próxima. O motorista do veículo parou próximo a ela e abaixou o vidro do carona, para poder falar com ela.

- Enya! - Falou seu nome em um tom de voz que ela pudesse escutar.

Ela simplesmente olhou, sem reconhecer o condutor, continuou seu trajeto.

- Enya! - Falou outra vez. - Preciso conversar com você!

Dessa vez se atentou mais, percebeu que era o jornalista que já havia tentado abordá-la em outra ocasião.

- O que quer? - Questionou.

- Entre aqui por favo! Não vi dar pra gente conversar assim, não é?

Ela simplesmente obedeceu, estava curiosa para saber oque aquele homem tinha para falar.

- Desculpe te abordar dessa forma! - Disse. - Mas precisamos ter uma conversa urgente.

- Estou atrasada para o trabalho, acho que não vou ter muito tempo agora. - Disse.

- Eu deixo você lá está bem assim?

- Tudo bem então! Estou curiosa e apreensiva com o que tem pra me falar.

- Vai parecer loucura, mas tenho provas incontestáveis para provar tudo sobre essa nossa conversa. 

Ela olhou para ele, consentindo para que desse início.

Antes de iniciar exatamente a falar, ele entregou um dossiê de documentos nas mãos dela, para que lesse enquanto se falavam. Começou então sua narrativa propriamente dita. No fim de tudo ele parou com o carro diante do prédio da empresa onde ela trabalhava. Enya estava atônita diante de tudo aquilo, não podia contestar aquele homem e aqueles argumentos. Começou a sentir uma nausea muito forte e pequenas luzes de lembranças vieram à sua cabeça. Em poucos minutos tudo estava muito claro. Enya voltou a si como se estivesse saindo de um afogamento.

Acalme-se! - Falou Henrique em tom acolhedor e segurando sua mão com carinho.

- Eu me lembrei! - Falou desorientada. - Lembrei de tudo








(Ricardo Netto)



Continua...



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